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Glossário de Stregheria

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Um Glossário contendo alguns termos e jargões utilizados dentro do universo da Bruxaria Tradicional Italiana. Alguns dos termos são específico de uma dada tradição ou de certas tradições, já outros podem ser aplicados a todas. Misturam-se aqui influências das culturas etrusca, romana e grega, bem como da Língua Italiana oficial e dos mais variados dialetos falados na península.

Animulare: As Streghe da Sicília. Seita das Bruxas Sicilianas, que clamam o poder da Transfiguração e estão estreitamente ligadas ao Culto dos Mortos.

Asteris: Nome utilizado em alguns Clãs Stregonesci para designar o Reino dos Deuses que se situa entre as estrelas. Termo de origem Etrusca. Na antiga religião etrusca este Reino era envolto em Brumas, e os Deuses das Brumas eram os antecessores dos Deuses da Terra.

Bele Butele: As Streghe do Veneto Ocidental.

Benandanti: 'Bruxos' que usa(va)m seus poderes para o bem e harmonia. Linhagem de bruxos que luta(va)m contra os malandanti. Conhecidos por usar varas mágicas feitas do galho da erva-doce para atrair os bons augúrios e combater o 'mal'.

Boschetto: Termo que indica um grupo de bruxos que realizam suas práticas juntos. Palavra derivada de bosco (bosque), local tradicional de encontro de bruxos. Semelhante ao coven wiccano. Congrega.

Capinera: O Homem de Negro. Emissário da Velha Religião. Nas épocas da perseguição ele era o mensageiro dos Sacerdotes, enviado aos camponeses para assegurar a sobrevivência dos antigos cultos. O Homem de Negro ou Capinera inspecionava os vilarejos e observava indivíduos que procuravam a solidão dos bosques ou lugares isolados. Geralmente, essas pessoas só eram abordadas se o seu comportamento sugerisse um interesse em crenças populares ou se parecessem proscritos da cidade ou vilarejo. Às vezes um Boschetto era no início organizado e conduzido pelo Capinera. É interessante notar que a figura do Capinera é encontrada não somente na Bruxaria Italiana, mas em toda a Europa, onde era conhecido normalmente como o Homem de Negro ou o “Diabo”. A maioria dos relatos da Inquisição apontam para ele, que aparecia para as Bruxas para lhes “converter” ao Culto da Bruxa. O Capinera ou o Corvo é o Mensageiro do Clã, responsável pela comunicação entre os Boschetti que fazem parte do mesmo Clã, e como Mensageiro do Clã, é o Acólito e “braço direito” do Grimas.

Chama Espiritual: Chama Ritual que é acesa no Altar, produzida por algum líquido alcoólico, que simboliza o Poder da Bruxaria e a Presença dos Espíritos dos Velhos Caminhos.

Cimaruta: Termo que significa ramo de arruda. Amuleto, normalmente feito em prata (metal relacionado à Lua), símbolo da Vecchia Religione. O símbolo é composto por um ramo de arruda (erva sagrada da Bruxaria Italiana), onde estão dispostos uma flor de verbena com cinco pétalas, um peixe, uma lua com uma serpente e uma chave. A flor de verbena representa a proteção, o peixe representa prosperidade e sorte, a lua com a serpente representa os poderes ocultos e psíquicos e a chave representa o conhecimento dos Mistérios.

Clã: 1 - Boschetti e Bruxos ligados entre si por um 'Boschetto Principal' ou por um Grimas fundador. 2 - Tradição da Stregoneria. Existem diversos Clãs na Stregoneria, tais como: o Clã Nemorensino, o Clã Tanarrico, o Clã Fanarrico, o Clã Janarrico, a Tradição Aridiana, a Tradição Ariciana, o Clã Napolitano, as Streghe de Benevento (Janare), a Tradição Hereditária Siciliana (Animulare), Clã Bazure, etc...

Clã Nemorensino: Clã de Stregoneria formado a partir da união de dois Stregoni de diferentes Clãs do Norte da Itália, que unindo seus conhecimentos, fundaram o Clã Nemorensino da Bruxaria Italiana. O nome refere-se a herança que os dois Clãs que fundaram este último detém dos Mistérios ensinados na região do Lago Nemi. No Clã Nemorensino os Ensinamentos e Treinamentos são secretos, e a pessoa somente se torna membro efetivo após sua Iniciação formal em um Boschetto, assim sendo, não há auto-iniciações no mesmo. Não confundir com suposta 'Tradição' brasileira neo-wiccana de nome similar.

Congrega: Grupo de bruxos que se reúne para celebrar os ritos sagrados. Congregação de bruxos. Boschetto. O termo Congrega é mais Tradicional entre os Clãs de Streghe e mais utilizado, ao invés de Boschetto que, ao que parece, não é muito comum na maioria dos Clãs.

Corvo: Mensageiro. Bruxo ou bruxa que desempenha o papel de mensageiro entre os membros da congrega. Capinera.

Encapuzado, O: Um dos três aspectos do Grande Deus. Senhor dos Bosques, Guardião das Florestas e Protetor dos Mistérios da Deusa. Ele é coberto de folhas, é o Deus das Matas. Equivalente Streghe ao celta Greenman. Rex Nemorensis.

Familiar: Animal Totêmico. Espírito Familiar. É o termo usado normalmente para o espírito do reino animal que acompanha a Bruxa, auxiliando-a em seus Ritos e Magias. Pode também ser um animal físico de um Bruxo ou Bruxa. É o animal que acompanha e serve de guia aos Bruxos nos Outros Planos, e também pode ser usado como auxiliador em oráculos.

Fata: Uma Raça de Espíritos da Natureza, ligadas aos riachos e bosques.

Fauni: Uma Raça de Espíritos da Natureza regentes das Florestas, Bosques e Campos.

Festa dell'Acqua: Festa da Água. Um dos nomes utilizados pelas Streghe para o Ritual de Lua Cheia. Veglione. Esbá.

Festa dello Fuoco: Festa do Fogo. Um dos nomes utilizados pelas Streghe para designar um Ritual de Sabbath, de Treguenda. Feste dello Fuoco (pl).

Follettino Rosso: Um tipo de Folletto, conhecido como 'Duende Vermelho', que habita a Pedra Redonda Sagrada e também a Pedra Furada das Streghe e serve-lhes de Espírito Elemental Familiar.

Folletti: Raça mais comum de Espíritos da Natureza. São os Elfos e Gnomos que regem os mais variados reinos naturais. Folletti é o Termo usado tanto para o plural como também para designar um desses espíritos femininos. O Masculino singular é Folletto.

Genio: Termo genérico geralmente usado para designar certos seres ligados às forças da natureza. Espírito ou deidade ligada a determinada espécie de planta ou animal ou a um lugar (genius loci).

Gettatura: Do verbo gettare (jettare). O mesmo que jettatura.

Gli Spiriti: Os Espíritos do Velho Caminho.

Grimas: Um ancião de uma tradição. Strega ou stregone que detém uma longa jornada nos Caminhos. Fundador de um clã.

Grigori: Guardiães dos portais entre os mundos dos homens e dos Deuses. Seres de altíssimo poder, relacionados às estrelas e aos elementos da natureza. Semideuses que testemunham, protegem e auxiliam as praticas ritualísticas.

Involutti: Os Deuses da Bruma. Os Involutti são de origem etrusca, são os Deuses por trás dos Deuses. Muitas vezes chamados de "A Bruma", são a força criadora do Universo, a Trancendência; Aqueles que criaram mas nunca foram criados, pois são pré-existentes. Se manifestam na Terra como os aspectos de Diana e Lucifero. A seguinte passagem do Vangelo de Leland se refere aos Involutti: "Então Diana dirigiu-se aos Pais do Princípio, às Mães, aos Espíritos que existiam antes do primeiro espírito". Dentro da "classificação" dos Involutti estão também os Grigori e muitos daqueles conhecidos como "Espíritos dos Velhos Caminhos".

Janare: Bruxa, Strega no dialeto da Campânia. Janarra ou Dianarra; Bruxas da região de Benevento. Seu culto está centrado nos Mistérios Lunares e, antigamente elas realizavam seus Rituais em volta da famosa "Nogueira de Benevento".

Jettatura:  Do verbo jettare. Mau-olhado. Maldição ou magia lançada pelos olhos. Ocorre que na Língua Italiana moderna o j foi abolido do alfabeto e substituído pelo g, mas as duas formas ainda podem ser encontradas.

Larario: Santuário dos Ancestrais. Pequeno altar colocado no lado Oeste da casa, onde se prestam os devidos cultos e oferendas aos Lare e às Lasa, os Espíritos Ancestrais. Alguns Clãs da Stregoneria também mantém uma chama perpétua no Larario em honra a Deusa Vesta, senhora do fogo purificador e dos Lare; Vesta também é conhecida como Acca Larentia ou pelo nome etrusco Larunda pelas Streghe.

Lare: Espírito ancestral que protege as casas e famílias. Antepassados consanguíneos. O Termo Lare indica os Ancestrais como um todo, ao tempo que um Ancestral em particular é designado pelo termo Mane.

Lasa: Espíritos ancestrais das Tradições. Bruxos e bruxas que partiram para o Outro Mundo. Os Poderosos da Bruxaria. Termo intimamente ligado às Fadas.

La Vecchia: Literalmente, A Velha, ou seja, A Velha Religião. Maneira carinhosa de se referir à Stregoneria.

Malandanti: Bruxas e bruxos que usa(va)m seus poderes para causar o mal e a destruição.

Malocchio: Mau-olhado, olho gordo, inveja, maldição.

Mane: Os Ancestrais. Enquanto o termo Lare é usado para designar os ancestrais coletivamente, Mane é o termo que refere-se a um ancestral em particular.

Masche: As Bruxas das regiões do Piemonte, Ligúria e Lombardia.

Numen: É a força que vive nas coisas. O Poder de um objeto é o Poder se seu Numen. É o 'espírito' que há nos objetos.

Pallas: Termo utilizado em alguns Clãs de Stregoneria para designar a reunião e Ritual de Lua Cheia. Veglione. Tregua.

Pedra Furada: Importante objeto mágico-religioso da Stregoneria. Uma Pedra Furada naturalmente é considerado um grande presente de Diana, e seu portador é agraciado com poderes e a bênção da Rainha das Bruxas e Fadas.

Rei dos Bosques (Rex Nemorensis): 1 - Nome que era dado ao Guardião do Templo de Diana em Nemi. 2 - Um termo que se utiliza para o aspecto Encapuzado do Grande Deus. 3 - Título dado ao Alto Sacerdote de um Boschetto do Clã Nemorensino da Stregoneria.

Reino de Luna: Mundo Além. Local onde as almas vão após a morte. Pós Morte.

Sabba: Diferentemente do significado que a palavra tem na Bruxaria Moderna, não se refere a um dia ou a uma celebração, mas a um lugar de poder.

Senhora do Lago: Também Dama do Lago. Título dado à Alta Sacerdotisa de um Boschetto do Clã Nemorensino da Bruxaria. Refere-se a uma Grã-Sacerdotisa do Lago Nemi, sagrado à Diana. A Alta Sacerdotisa também é chamada de Senhora ou Dama.

Strega: Bruxa, literalmente.

Streganera: palavra formada pela junção de strega +nera, ou seja, bruxa negra, bruxa má. Aquela que se dedica às forças das trevas, que destrói e amaldiçoa.

Streghe: Plural de strega.

 Stregheria: Literalmente, Bruxaria. Deriva de strega. A rigor, Stregheria e Stregoneria são palavras equivalentes, embora as evidências linguísticas apontem para o aspecto predominantemente feminino da primeira e masculino da segunda. Algumas tradições adotam o termo Stregheria para designar a si mesmas, outras Stregoneria e isso pode variar também conforme a região de origem.

Stregone: Bruxo, literalmente.

Stregoneria: Literalmente, Bruxaria, só que deriva de stregone. Ver Stregheria.

Stregoni: Plural de stregone.

 Treguenda: Sabbath das Bruxas. Tregenda. Ritual Sazonal. Uma das oito cerimônias que compõe o calendário. Similar ao 'sabá' wiccano.

Tregua: Reunião de bruxas e bruxos. O termo significa "descanso", e é a raiz da palavra Treguenda.

Vangelo delle Streghe: Evangelho das Bruxas. Texto onde é narrada a história da Strega Sagrada e seus Ensinamentos, assim como as Peregrinações que é a história dos discípulos de Aradia após seu desaparecimento. Atribui-se esses textos a Teresa, uma das discípulas de Aradia, a qual viveu uma época na casa de nobres; enquanto há aqueles que digam que a própria Aradia tenha escrito treze Pergaminhos contendo seus ensinamentos sagrados, os quais foram chamados de Evangelho de Diana. Há também uma versão chamada Aradia, O Evangelho das Bruxas escrita por Charles G. Leland e publicada em 1899, onde há fragmentos da Stregheria mesclados com elementos cristãos e do folclore popular. Acredita-se que o famoso e importante livro de Leland seja um resquício dos Pergaminhos que Aradia e seus seguidores escreveram.

Veglia: Significa sarau, vigília. Utilizado na B.I. como uma lenda ou história oral contada durante um ritual ou reunião.

Veglione: Ritual de Lua Cheia. Vigília da Lua Cheia.

 Verbena: Erva aromática sagrada na Stregheria. Erva das Oferendas, sagrada à Diana.

 Volontà: Literalmente, vontade, mas neste contexto é usada como substantivo concreto e não abstrato como no Português. É algo mensurável, e possui a conotação de 'energia' ou poder canalizado para um fim.
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Bruxaria Italiana ou Stregheria

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Nos dias de hoje a Bruxaria Italiana se popularizou, muito graças a livros de Charles G. Leland e de Raven Grimassi. Muitas pessoas tem interesse em conhecer a Stregoneria - ou Stregheria como ficou popularizada entre os livros de Grimassi - e muitos são os que clamam para si os títulos de Strega ou Stregone. Mas o que é verdadeiramente a Stregoneria? Quais são suas crenças e práticas? Bem, este é um assunto muito complexo, e tentarei explicar por meio deste pequeno artigo quais são as verdades e mentiras acerca das tão afamadas "streghe".

Em primeiro lugar devemos dizer que Stregoneria compreende uma vasta - e praticamente impossível de listar - vertentes de crenças e práticas das Bruxas que vivem na região mediterrânea da Itália.Grande parte das pessoas acham que Bruxaria Italiana é uma Religião única, aquela que é exposta nos livros de Raven Grimassi; mas isto não condiz com a realidade. Aquilo que é apresentado por Grimassi em seus livros não é nem sequer um porcento da grande gama de tradições, costumes e crenças que fazem parte do termo genérico Stregoneria. Existem centenas de Clãs, Vertentes e Tradições que podem ser classificadas como Bruxaria Italiana; cada qual com suas liturgias próprias, panteões próprios, rituais, sortilégios, encantarias e crenças próprias. E vale ressaltar que existem diferenças imensas entre um Clã e outro. Então, não é possível generalizar a Bruxaria Italiana como uma Religião única, muito menos como apenas aquilo que Grimassi apresenta em seus livros. Como exemplo simples, podemos citar que Bruxas do Norte da Itália tem crenças bem diferentes das Bruxas do Sul da Itália. As primeiras, em sua grande maioria, são cultuadoras de deuses de origem etrusca e romana, enquanto as segundas estão muito mais focadas no panteão helênico. Muitos Clãs de Bruxas do Norte são seguidoras da famosa personagem mítico-histórica conhecida por Aradia, enquanto as Bruxas do Sul nem ao menos ouviram falar da mesma. Há também muitas streghe que são Cristãs. Realizam suas encantarias, maldições e feitiços de amor invocando santos católicos, e não deixam de ir as missas no domingo, pois parte de seus poderes provém da comunhão com a hóstia e o vinho; e sim, elas chegam a amaldiçoar em nome das Chagas de Jesus.

Na Sicília existem as Animulare, que são Bruxas extremamente fechadas, que não revelam seus segredos nem mesmo para seus amigos íntimos - então, será praticamente impossível você ver um "workshop" sobre Bruxaria Siciliana em algum espaço esotérico de lá. Elas tem uma crença totalmente centrada no Culto aos Mortos, nos Vôos ao Sabba (lê-se viagens astrais) e na transfiguração. Deve-se esclarecer aqui que Sabba, para as Bruxas da Itália, não é um festival sazonal, mas sim um Local de Poder, um local no Astral onde ocorrem orgias e festas e onde as mesmas se regozijam com seu Deus das Sombras e do Prazer.

Outro Culto de Bruxas, um pouco mais conhecido na Itália é o Culto dos Benandanti. Os Benandanti eram, na região do Friuli, feiticeiros-cristãos que, durante certa época do ano, lutavam ritualisticamente com os Malandanti (as bruxas "más"), para assim assegurar uma boa colheita. Na região do Benevento temos as Janare, que celebravam seus encontros a meia-noite ao redor de uma grande nogueira sagrada e serviam nuas a Pano, o tão conhecido Deus Pã dos Gregos. Temos as Bele Butele do Veneto, que tem uma prática mais xamânica e divididas em pequenos grupos, normalmente familiares.Enfim, existem centenas de práticas bem diferentes entre si, e que são conhecidas como Bruxaria Italiana. Exatamente por este motivo, torna-se muito difícil falar pela Stregoneria como uma coisa única, como o Sr. Grimassi tenciona. Então, como posso falar sobre as crenças da mesma? Bem, posso falar apenas pelas crenças em que fui instruído por minhas antigas "professoras" e pelas poucas crenças que me foram transmitidas de mais dois praticantes genuínos de diferentes Clãs que conheço.

A Bruxaria Italiana que conheço é uma Bruxaria centrada em um culto Lunar, na adoração de Diana, Lúcifer e Aradia como tríade divina; tríade esta herdeira da tríade etrusca Uni-Tagni-Menerva. A base desta Bruxaria é centrada em três pilares: adoração a tríade supracitada, feitiçaria e leitura de augúrios e oráculos. Temos um vasto panteão de Deuses, semi-deuses, espíritos do tempo e da natureza, demônios e gênios, que atuam nas mais diversas escalas de existência. Necromancia e outras formas de comunicação com os espíritos é algo muito importante dentro de nossas práticas e não vemos os Deuses como facetas da mesma Deusa ou Deus, e sim como seres independentes, que vieram da mesma Fonte, mas que são seres distintos, assim como cada ser humano ou animal é único. Celebramos tanto em Congreghe como solitariamente, mas não admitimos em nossas práticas o tal modernismo da "auto iniciação".

Iniciação, um assunto delicado. Como ela se dá na Stregoneria? De diversas formas, mas é unânime - pelo menos nas tradições que conheço - que ela é transmitida de alguma forma. Em minhas práticas ela é transmitida através de certos Rituais, passada de geração em geração, por meio de ritos secretos que envolvem provações, transmissão de linhagem através do sangue, de certas ervas de poder e outros elementos que não estou autorizado a revelar. Cremos que, somente aqueles que nasceram com um certo Dom, que é reconhecido pelos que são Iniciados, é que podem ser aceitos no seio de nosso Clã; isso implica na exclusão de muitos os que querem seguir nossas tradições? Sim, pois há também muitos que relutam em não fazer parte de nós, mas que depois de algum tempo acabam aceitando os desígnios do Dom. Elitismo? Talvez... Nunca desejamos ser um Culto de massa, e preferimos ser ocultos do que famosos pela mídia; não desejamos arrecadar rebanhos, pois os nossos a nós virão.

Sei que também é possível um certo tipo de Iniciação através de espíritos, e algumas de nossas lendas nos contam sobre streghe que foram Iniciadas diretamente pelos espíritos de seus Clãs. Mas isto nunca foi e nunca será uma "auto-iniciação", e na maioria dos casos, a tal bruxa tentou rejeitar o que lhe estava sendo dado - afinal, o fardo da Bruxaria é muito maior do que a beleza que os neo-pagãos apresentam ao público, sendo tal fardo a dedicação e responsabilidade para com os Mistérios que, pouquíssimas pessoas estão dispostas realmente a seguir.

Um outro tipo de Iniciação bem comum nas práticas da Stregoneria é aquela familiar. A linhagem é transmitida através da ancestralidade, mas os encargos do ofício das Bruxas é também legados por Rituais e Cerimônias.

As bruxas do Clã ao qual pertenço crêem que, para que a magia seja realmente efetiva, é necessário sempre a intervenção de Diana (a Lua), Lúcifer (o Sol) e Aradia (a Terra - o ponto de equilíbrio). Os ciclos sazonais também são observados, para que haja um alinhamento com as marés de poder telúricos oriundos destes períodos, pois é Diana que nos dá o Poder, mas somente por meio da intercessão de Lúcifer (energia solar numa visão metafísica) e Aradia (energia telúrica) que alimentamos o Poder que nos é conferido. Uma de nossas regras é que, nenhuma bruxa pode morrer sem transmitir o Legado à pelo menos uma pessoa. E esta regra é literal, pois se a bruxa não o transmite, ela padece e é impedida de morrer pelos Poderosos, até que transmita o Legado.

Outro fator muito importante em nosso Culto é a adoração aos Ancestrais. Esta adoração está intimamente ligada a Necromancia e aos sacrifícios, libações e oferendas àqueles que nos transmitiram o Legado e a Marca. Sem Culto aos Ancestrais não há Bruxaria.

Pois bem, isto é Bruxaria Italiana. Uma vasta gama de práticas e crenças, espalhadas por toda a Itália, e que em sua maioria se mantém ocultas na sombra dos segredos até hoje. É um Culto a deuses ou santos, no qual somente se é admitido aqueles que foram escolhidos ou pela linhagem consangüínea, ou por carregarem no sangue o Dom adormecido por gerações e que acaba despertando. É acima de tudo, um Culto onde a feitiçaria, os encantamentos, benzeduras, maldições e poções famigeradas, são de total importância para a Bruxa.

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