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A Cabala e os Anjos

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O povo judeu, ao longo de sua existência, sofreu continuas perseguições e exílios. Desde o período bíblico, com os cativeiros no Egito e na Babilônia até sua execução em massa na Alemanha nazista, sua expulsão da Espanha e da Inglaterra, entre tantos outros acontecimentos, sempre se mantiveram unidos como um povo, mantendo intactas sua cultura e sua língua. Para isso, valiam-se da Cabala, que condensa seus ensinamentos religiosos e, ao mesmo tempo, protege-os da extinção, pois é tão complexa e de difícil interpretação que poucos a ela têm acesso.

A palavra Cabala vem de uma raiz hebraica KBL, ou receber e, segundo consta, surgiu no primeiro século depois de Cristo. Seus livros mais importantes são o Zohar, ou Livro do Esplendor, o Livro da Criação e o Livro da Imagem.

A correta interpretação desses textos revelaria o mapa a ser trilhado pelas almas para percorrer esse caminho de volta ao seu Criador.

 Através da numerologia, que se vale dos algarismos de 1 a 9, muitas revelações vão surgindo aos olhos do iniciado e dos poucos que tem o privilégio de compreenderem suas mensagens ocultas.

De qualquer forma, preciosas informações já foram assimiladas pelos estudiosos do assunto, fornecendo regras para o entendimento, ainda que precário, da relação dos homens com os Anjos e de como ter acesso a estes. Angelólogos se debruçaram sobre isso ao longo dos séculos, chegando às informações que, hoje, já se encontram consolidadas e à disposição de quem delas queira fazer uso.

Para descobrirem os nomes dos Príncipes e dos Anjos de cada uma das falanges, os cabalistas partiram de um número inicial, o 72, que nada mais é que o resultado da inscrição do nome de Deus, Ieve ou Jehovah, dentro de um triângulo considerado sagrado e chamado de Tetragramaton, com a seguinte configuração:
I
I E
I E V
I E V E

Nesse triângulo, o I eqüivale a 10, porque corresponde a YOD, décimo caracter do alfabeto hebraico, que simboliza tempo, espaço, ciclos de existência, tudo que nasce, cresce, se reproduz e desaparece. O E eqüivale a HE, equivalente a 5, significando a dualidade do ser diante da natureza e do universo. O V corresponde a VAU, equivalente a 6, simbolizando a presença do espírito. Aplicando isso às letras do Tetragramaton, temos:
10
10 + 5
10 + 5 + 6
l0 + 5 + 6 + 5

Efetuando-se essa soma, obtém-se o 72, que foi a base inicial para a descoberta dos nomes dos Anjos. Esse número aparece, também, em outras passagens bíblicas. 72 nações e línguas se originaram da intervenção de Deus na Torre de Babel. Em todas essas línguas, o nome de Deus sempre foi escrito com 4 letras. Eram 72 os anciãos das sinagogas e são 72 também o número de quinários, graus ou dias, do ano cabalístico, que se inicia em 20 de março, no signo de Áries.

A partir desse número, os cabalistas descobriram que os versículos 19, 20 e 21 do Capítulo 14 do Êxodo, tinha cada um deles 72 caracteres hebraicos. Na tradução de João Ferreira de Almeida, são os esses os versículos citados:

(Ex 14:19)
"E o anjo de Deus, que ia diante do exército de Israel, se retirou e ia atrás deles; também a coluna de nuvem se retirou de diante deles e se pôs atrás deles."

(Ex 14:20)
"E ia entre o campo dos egípcios e o campo de Israel; e a nuvem era escuridade para aqueles e para estes esclarecia a noite; de maneira que em toda a noite não chegou um ao outro."

(Ex 14:21)
"Então Moisés estendeu a sua mão sobre o mar e o Senhor fez retirar o mar por um forte vento oriental toda aquela noite; e o mar tornou-se seco e as águas foram partidas."

Para chegar a esses nomes, os versículos foram dispostos paralelamente e os primeiros caracteres da esquerda dos versículos 19 e 21 foram ligadas ao primeiro letra da direita do versículo 20. Aos três caracteres resultantes foram acrescentados a terminação HE ou VAU, extraídas do sagrado nome de Deus. Feito isso, o processo é repetido com os segundos caracteres, até completar todos os setenta e dois.

Reduzindo-se numerológica e cabalisticamente o número 72, temos 7 +2= 9. Nove foram, portanto, as falanges, cada qual com 8 Anjos, mais um Príncipe comandante, assim como nove eram os planetas do ano cabalístico. Desse conhecimento surgiram os nomes dos Príncipes, totalizando 81 Anjos, cuja redução numerológica e cabalística também resulta em 9, como toda a hierarquia angelical, diga-se de passagem.
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Bene ha'Elohim e a Geração Dos Nefilin

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Os Filhos de Deus (em hebraico bene ha' Elohim) são conhecidos de vários textos da Bíblia Hebraica. Em Jó 1:6 e 2:1 os Filhos de Deus se apresentam a Iahweh na divina assembléia celestial; mais adiante, em Jó 38:7, vemos os Filhos de Deus estiveram ao lado de Iahweh na criação do mundo: quando vêem a obra de Deus "rejubilavam os filhos de Deus". Eles aparecem também (na forma hebraica bene 'elim) na assembléia divina de Iahweh no Salmo 89:7, onde se proclama a sua incomparabilidade entre o Deus. Uma cena semelhante ocorre no Salmo 29:1, onde os Filhos de Deus (bene 'elim) tributam glória ao senhor.
Talvez a mais curiosa referência aos Filhos de Deus seja a do famoso Cântico de Moisés, no Deuteronômio 32, justamente antes dele subir ao monte Nebo, para morrer sem ter entrado na Terra Prometida. O Deuteronômio 32,8 contém o que aparentemente é uma velha referência mitológica à primitiva história da humanidade. - Descobriu-se que um texto fragmentário entre os Manuscritos do Mar Morto continha o Deuteronômio 32:8. composto em escrita do final do período herodiano (fim do século I a.C. ao início do século 1 d.C.). Esse fragmento é hoje o mais antigo texto hebraico do Deuteronômio 32:8 conhecido. Nesse fragmento, as últimas palavras do versículo são claramente bene ha' Elohim (Filhos de Elohin). Essa redação foi preservada na Septuaginta Grega, que traduziu como "aggelon theou":
"Quando o Altíssimo repartia as nações,
quando espalhava os filhos de Adão
ele fixou fronteiras para os povos,
conforme o número dos filhos de Deus"
(Deuteronômio 32,8)
Aqui são os anjos que guardam ou governam as nações. Porém Deus reservou cuidar pessoalmente de Israel, seu povo eleito: "Mas a parte de Iahweh foi o seu povo, o lote da sua herança foi Jacó". (Deuteronômio 32,9). Foi uma sábia decisão, já que outros textos indicam que os anjos não fizeram exatamente o que deveriam, ou melhor, fizeram coisas além do que deveriam. Como, por exemplo, ensinar aos homens ciências divinas, casar-se e ter filhos.
O livro da Gênese assinala a união fecunda dos Benei-ha-Elohim com as filhas dos homens. Misterioso casamento do qual nasceu a grande raça dos gibborim, ou dos nephilim:
«Quando os homens começaram a se multiplicar sobre a face da terra e lhes nasceram filhas, os bene ha' Elohim viram que as filhas dos homens eram belas e tomaram como mulher todas as que lhes agradaram. E então disse o Senhor: "Meu espírito não terá força (yadon) indefinidamente sobre o homem, pois este na verdade é só carne. E os seus dias serão cento e vinte anos." Ora, naqueles tempos, os Nefilim habitavam sobre a terra, e também depois, quando os bene ha' Elohim se uniam às filhas dos homens e estas lhes davam filhos: estes foram os heróis dos tempos antigos, os homens de renome.» (Gênesis 6:1-4)
O episódio dos "filhos de Deus", que se casaram com as "filhas dos homens", é de tradição javista. O capítulo 6 é provavelmente um fragmento de uma antiga versão hebraica do Livro de Enoch que se adicionou ao Gênesis para fornecer uma motivação moral à história do dilúvio, derivada de versões mesopotâmicas, como a epopéia de Gilgamesh, nas quais essa motivação inexiste. 
O termo Nefelim significa literalmente "os caídos", sendo um eufemismo comum para "os mortos", (por exemplo, Jeremias 6:15 diz: "eles cairão entre os que caem [em hebraico nopelim]"). Em Ezequiel 32:27, temos os Nefilim como guerreiros que caíram: 
Eles jazem com os guerreiros,
Os nefelim dos tempos antigos,
Que desceram ao Xeol [sepulcro]
com suas armas de guerra. (Ezequiel 32:27)
Em outras partes da tradição bíblica, os Nefilim são descritos como gigantes, que eram os habitantes nativos de Canãa.
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Hierarquia Angelical Segundo Maimónides

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Esta versão baseia—se na tradição cabalística e nas dez esferas da Árvore da Vida, que é o esquema central da Cabala hebraica. Segundo teólogos e escolásticos judeus, especialmente Maimónides, a Hierarquia Angelical compõe—se de dez coros celestes.

1. Chaioth ha Quaddosh: Potestades
2. Ofanim (Auphanim): Tronos
3. Arelim (Erelim): Principados
4. Chasmalim (Hasmalim):Dominações
5. Seraphim: Serafins
6. Malachim: Virtudes
7. Elohim: Arcanjos
8. Bene Elohim: Anjos
9. Cherubim: Querubins
10. Ashim (Ishim): Almas dos santos

Cada um dos coros que constam desta lista faz parte dos atributos das esferas da Árvore da Vida, conhecidos como Sefirote ou Zéfiros. Como se pode ver na lista, a ordem dos vários coros da Cabala é completamente diferente da sugerida por Pseudo—Dionísio. Apresenta-se aqui esta lista porque é importante na prática da magia angelical. As diferentes ordens e coros angelicais são de grande importância para o ser humano, uma vez que tudo o que existe é regido por um anjo, incluindo a vida e a morte de uma pessoa. De acordo com o "Livro dos Jubileus", quando Deus criou o Universo, no primeiro dia da Criação, também criou os espíritos que são seus servidores. Entre estes estão os anjos da Divina Presença, os anjos da Santificação, os anjos do elemento fogo, os anjos do vento, das nuvens, da escuridão, da neve, do granizo, do trovão e do relâmpago, do frio, do calor, das quatro estações e de todas as criaturas da Terra e do Céu. Por outro lado, segundo Enoch, os anjos não foram criados no primeiro dia da Criação, mas sim no segundo.

Através de cada coro angelical, o ser humano recebe um dom celestial:

1. Dos Serafins recebe o fervor da fé e o amor a Deus.
2. Dos Querubins recebe iluminação mental, poder e sabedoria
3. Dos Tronos recebe o conhecimento de como foi criado e como dirigir os seus pensamentos para coisas divinas
4. Dos Dominações recebe a assistência necessária para subjugar os seus inimigos e perseguidores e alcançar a salvação
5. Dos Potestades também recebe ajuda para dominar os inimigos materiais
6. Dos Virtudes recebe o poder de Deus para triunfar na vida.
7. Dos Principados recebe o poder de controlar tudo o que o rodeia e adquirir conhecimentos secretos ou sobrenaturais.
8. Dos Arcanjos recebe o poder de dominar todas as criaturas da terra ou do mar.
9. Dos Anjos recebe o poder de ser mensageiro da vontade divina.
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Corpos Incorruptos

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No livro do Eclesiastes, se lê esta frase: 'Lembra-te que és pó. E ao pó retornarás'. Além de lembrar ao homem sua condição perecível e transitória, esta sentença recorda a aniquilação física, a decomposição do organismo, após a morte. 

A realidade é constatada quase universalmente. Digo quase universalmente, por se darem exceções, embora raríssimas, de não decomposição física. Exceção esta conhecida pelo nome de Incorrupção. 

A Incorrupção é a preservação do corpo humano da deterioração que comumente afeta todo organismo poucos dias após a morte. É evidente que são excluídas as mumificações, as saponificações e outros processos químicos de preservação dos corpos dos mortos; pois seriam incorrupções artificiais. 

O primeiro documento de autenticidade indiscutível que relata uma Incorrupção, data do século IV e é redigido por Paulino, secretário de Santo Ambrósio, Bispo de Milão: este documento é redigido em forma de carta dirigida ao Bispo de Hipona, Santo Agostinho. Paulino descreve o descobrimento feito por Ambrósio: 'Por este tempo, ele (Ambrósio) encontrou o corpo do mártir Nazário que se encontrava enterrado num jardim fora da cidade de Milão; recolheu o corpo e o transladou para a Basílica dos Apóstolos. No túmulo foi encontrada a cabeça que fora decepada pelos inimigos, em perfeito estado, como se tivesse apenas sido colocada junto ao corpo, do qual emanava sangue vivo e uma fragrância que superava todos os perfumes'. Tinham transcorrido 200 anos do martírio. 

Mais preciso e mais digno de crédito é o relato de Eugippius acerca do corpo de São Severino, bispo de Noricum, morto em 482. Seis anos após sua morte, o corpo foi encontrado incorrupto. Embora existam muitos outros casos a partir do século IV até o século XVI, interessam-nos mais as preservações a partir do século XVI, por possuirmos fontes históricas mais comprovadas e mais fidedignas. 

Em 19 de outubro de 1634, falecia a Madre Inês de Jesus, priora de Langeac. Seu corpo, sem sofrer qualquer processo de extração de entranhas ou de embalsamento, foi sepultado na sala capitular, ao lado de outros membros da comunidade. Passados alguns anos, o Sr. Bispo, em vista do processo de Beatificação, ordenou que seus restos fossem exumados. O corpo foi encontrado sem sinal de decomposição. Transladações e verificações foram realizadas até o ano de 1770. Em 1698 e 1770, cientistas, cirurgiões e médicos declararam que humanamente, a preservação do corpo era inexplicável. 

São Vicente de Paula faleceu em 1660, para atender aos pedidos de canonização a exumação do corpo foi feita em 1712, depois de mais de 50 anos de sua morte. Aberto o túmulo, na expressão de uma testemunha ocular 'tudo estava como quando foi enterrado'. Quantos puderam vê-lo, observaram que seu corpo estava em perfeitas condições e os médicos atestaram que o corpo não podia ter sido preservado por meio natural algum, durante tanto tempo. 

A beata Maria Ana de Jesus, terciária da ordem de Nossa Senhora da Redenção, nascida em Madrid e falecida na mesma cidade em 1642; teve o corpo preservado da decomposição. Pouco depois de sua morte, o Cardeal Treso, Bispo de Málaga e presidente da Castela; que a conhecera pessoalmente em vida, no processo de beatificação, declara ter estado presente na primeira exumação e afirma: 'Eu ví e me assombrei ao presenciar que o corpo morto há anos, sem que tivessem sido retiradas as vísceras ou embalsamado, pudesse estar tão perfeitamente conservado que nem sequer o abdômen e nem as faces oferecessem sinal de deterioração, com exceção de uma mancha nos lábios, embora esta já a tivesse em vida'. 

Em 1731, tendo já transcorridos 107 anos da morte da Serva de Deus, teve lugar uma inspeção oficial e mais completa, por ordem das autoridades eclesiásticas interessadas na causa da Beatificação. Os restos mortais se apresentavam suaves, flexíveis e elásticos ao tacto. Esta investigação teve lugar em Madrid, tendo sido fácil reunir médicos e peritos. Nove professores de medicina e cirurgia tomaram parte nas investigações e depuseram como testemunhas. Foram feitas incisões na parte carnosa e no peito; foram estudados os orifícios naturais por onde poderiam Ter sido introduzidos preservativos contra a putrefação. Foi uma verdadeira dissecação. 

Após completar as investigações, os médicos declararam: 

'Os órgãos internos, as vísceras e os tecidos carnosos, estavam todos eles intactos, sãos, úmidos e elásticos'.

Baseada nesse testemunho, a Congregação dos Ritos aceitou a preservação como fato milagroso, apesar de 35 anos mais tarde, antes que fosse publicado o decreto de beatificação, uma terceira inspeção revelasse que na oportunidade, o corpo já não era mais flexível e brando. Os tecidos tinham endurecido, mas não estavam decompostos.

Uma outra narração nos chama a atenção; é a do mártir jesuíta André Bobola, que tendo combatido com sua palavra, os cismáticos russos, tornando-se conhecido como o "apóstolo de Pinsk", atraiu o ódio de seus adversários, os cossacos; e foi submetido a um cruel martírio. Em mãos dos cossacos, e recusando-se a aceitar o cisma russo, foi açoitado, ultrajado de uma maneira incrível. Foi praticamente esfolado vivo, cortada uma mão, enfiados estiletes de madeira por debaixo das unhas, arrancada sua língua, e sua fisionomia tão deformada que mal parecia homem. "Sangrava, afirmava uma testemunha, como um boi no matadouro". Após horas de tormento, saciados já os sanguinários e dando apenas sinais de vida, desferiram-lhe um golpe de espada na garganta. Após jogar o deformado cadáver numa esterqueira, retiraram-se os cossacos e os católicos recolheram os restos mutilados e os enterraram às pressas na cripta da Igreja dos Jesuítas, em Pinsk. 

Quarenta e quatro anos mais tarde, o reitor do colégio dos jesuítas de Pinsk, por uma visão ou sonho que acreditou ser sobrenatural, fez uma investigação para encontrar o corpo do mártir. Foi encontrado, segundo todas as aparências, exatamente no mesmo estado em que fora depositado: com as mutilações, continuava integro e incorrupto; as articulações continuavam flexíveis; a carne, nas partes menos afetadas pelas mutilações era elástica e o sangue que cobria o cadáver parecia recém-coagulado. O último exame ordenado pela Santa Sé, teve lugar em 1730 - setenta anos depois da morte. Seis eclesiásticos e cinco médicos mantiveram as declarações anteriores. Também eles declararam que o corpo, exceto as feridas causadas pelos assassinos, estava intacto; a carne conservava-se flexível e que sua preservação não poderia ser atribuída a uma causa natural. Em 1835, a preservação do corpo foi aceita pela Congregação dos Ritos, como um dos milagres exigidos para a beatificação. Segundo testemunhas, nenhum corpo dos depositados na cripta onde se encontrava o corpo de André Bobola foi preservado. 

Não se pode afirmar que tal fato pertença somente aos séculos passados; Santa Madalena Sogia Barat, fundadora da sociedade do Sagrado Coração, faleceu em 1865; vinte e oito anos mais tarde, seu corpo foi encontrado quase perfeitamente inteiro, embora o ataúde estivesse parcialmente podre e recoberto de mofo. Imunidade idêntica foi outorgada a João batista Vianney, o célebre Cura De Ars que morreu em 1859 e foi beatificado em 1905. Idêntico privilégio coube à vidente de Lourdes, Bernardete Soubirous; faleceu em 1879 com a idade de 34 anos. Em 1909, passados 30 anos, o corpo foi exumado e uma testemunha afirma: "Não havia o menor indício de corrupção. Seu rosto aparecia levemente escurecido e os olhos um tanto afundados, parecendo estar dormindo". O corpo foi novamente encerrado num ataúde juntamente com um informe do estado em que foi encontrado.

Poderíamos continuar a enumerar fatos, mas os já citados são suficiente para dar um ideia do fenômeno da Incorrupção e sua inexplicabilidade. Digo inexplicabilidade, porque, apesar de existirem outros tipos de incorrupção, não coincidem com a exposta. 

Corrupção total do corpo e preservação integral de certos órgãos - Se a preservação total ou parcial da corrupção de alguns corpos é um assunto intrigante para a ciência e enigmático também para a Igreja, para a qual a simples constatação da incorrupção não é critério de santidade, e portanto, milagre evidente, muito mais intrigante e enigmática é a preservação de um determinado membro de um corpo que foi reduzido a pó. Será, logicamente, muito mais difícil para a ciência encontrar uma explicação para tal preservação e um caminho muito mais aberto e claro para a Igreja afirmar o fato como miraculoso. 

Nenhum exemplo poderia ser mais sugestivo para discernir a Providência Divina do que a preservação parcial do coração de santa Brígida, da língua de Santo Antonio, de São João Nepomuceno e da beata Batista Varani. 

Santa Brígida, da Suécia faleceu em 23 de julho de 1373. Seus restos mortais foram exumados; tudo estava reduzido a pó encontrando-se o coração incorrupto. 

A atitude da Igreja Católica mostrou-se sempre muito cautelosa perante fatos inusitados, inclusive perante a incorrupção dos corpos de pessoas santas. Num levantamento feito pelo competente e 
autorizado estudioso de Parapsicologia, Pe. Herbert Thurston, S.J, com 42 santos célebres por sua vida, obra e santidade, entre os quais muitos foram encontrados incorruptos depois de anos, assevera o mesmo autor que nenhum deles foi canonizado por ter sido preservado da corrupção. 

Há aqueles que afirmam que a sobriedade na comida e na bebida, característica de todos os ascetas, podem modificar completamente as condições do metabolismo normal e tende a eliminar certa classe de micróbios que são mais ativos no processo de putrefação; poderíamos replicar que existem muitas pessoas pobres ou doentes ou por opção que são abstêmias, e uma vez mortas, a lei da decomposição as acompanha normalmente. 

A experiência comum mostra que não concorrendo condições extremas excepcionais, por exemplo, um frio intenso, a decomposição chega, mais cedo ou mais tarde e que antes de passados 15 dias da morte, são visíveis os primeiros sinais. 

E o problema tornar-se-á ainda mais insolúvel para o cientista ao constatar que as incorrupções são verificadas em místicos e santos (em ambiente religioso). 

Muitos segredos da natureza já foram desvendados, dado o contínuo progresso das diversas ciências. Há outros, entretanto, que são indecifráveis porque não só superam as forças e leis da natureza, como também, e isto é significativo, são característicos do catolicismo, e só dele.

Não consta historicamente, apesar de aprofundadas pesquisas na procura, que pessoas de outros credos e em qualquer outro tempo, tenham manifestado ausência de rigidez cadavérica. No catolicismo, ela é exclusiva de pessoas que em vida, manifestaram uma santidade excepcional, mas não de todos os grandes santos, pois nenhum milagre tem regras fixas. 

O primeiro caso de que temos notícias data de 1160 e a primeira pessoa em que foi verificado foi Rainerio de Pisa. Quem relata o fato é um contemporâneo e,ao que tudo indica, digno de crédito. "Seus membros não demonstravam depois da morte, nenhum sinal de rigidez. Pelo contrário, conservavam-se úmidos e molhados de suor e eram tão flexíveis como os de um homem vivo". 

Pouco mais de meio século depois (1226), ocorreu a morte de São Francisco e Assis. O novo superior da Ordem, o irmão Elias, num comunicado aos demais confrades, descreveu minunciosamente como durante os últimos dias, Francisco era incapaz de levantar a cabeça. Seus membros "estavam rígidos como os de um morto". Mas depois de sua morte... os membros antes rígidos se tornaram flexíveis. 

Pelo menos 50 casos bem estudados de ausência de rigidez cadavérica existem entre santos da Igreja católica, desde o século 12 até nossos dias. 

Exemplos - Parece oportuno agora falar um pouco sobre o aspecto fisiológico da questão do "Rigor mortis". 

Thurston revisou os manuais clássicos ingleses, franceses, alemães, espanhóis e italianos sobre jurisprudência médica: "Não descobri nenhum que reconhecesse a possibilidade de alguém estar isento da rigidez cadavérica". 

Há alguma variação com respeito a hora do aparecimento e término da rigidez: pode variar algumas horas dependendo do clima e do continente. Para a Inglaterra, por exemplo, o Prof. Glaister declara: "Ordinariamente a rigidez começa no pescoço, mandíbula e no rosto, cinco ou seis horas após a morte. Após dez horas, abrange toda a parte superior do corpo, e doze a dezoito horas após a morte, afetará todo o corpo". Segundo E. Harnack, médico alemão, na maioria dos casos, a rigidez chega a ser completa no prazo de 5 a 6 horas após a morte. 

"Com toda a probabilidade, a rigidez terminará na maioria dos casos, transcorridas 36 horas", dando origem à corrupção. Segundo os clássicos alemães, porém, a rigidez cadavérica dura habitualmente 72 horas. 

O "rigor mortis" pode demorar em aparecer até 16 horas após a morte e permanecer até 21 dias, mas ambos são casos e circunstâncias raríssimas, como determinadas substâncias usadas na medicação. Nas doenças de consumpção, de curta ou prolongada duração, a rigidez pode começar imediatamente após a morte e desaparecer logo, iniciando-se imediatamente a putrefação. 

O número de casos em que não se verificaram traços de rigidez cadavérica é grande para enumerar e discutir um por um. 

Cadáveres que destilam óleo - Surpreendente constatação: Certos cadáveres, anos após a sepultura e até séculos depois, destilam um líquido semelhante ao óleo vegetal. Outros, em idênticas condições, sem causa que o justifique, emitem água. 

É relativamente comum que este líquido brote de qualquer incisão feita nos corpos preservados da corrupção. 

Os católicos gregos, antes do cisma da Igreja oriental, tinham um nome especial para determinados e numerosos casos de cadáveres de santos: "movoblútai", isto é, "destiladores de óleo". 

O Papa Bento XIV exige (e garante nestes casos) para afirmar a realidade do prodígio da água e do óleo, que tenham sido removidas todas as causas naturais, como a infiltração da água ou a possibilidade de Ter sido colocado algum líquido. Os restos mortais devem ficar em lugar apropriado e completamente seco, excluindo-se qualquer possibilidade de intervenção humana. 

Aqui nos defrontamos com um fenômeno de todo inusitado e inexplicável para o qual a ciência não pode encontrar nenhuma explicação razoável e satisfatória, apesar de tratar-se de casos fáceis de examinar e constatar qualquer vestígio de explicação, caso esta fosse possível. A evidência do fato é indiscutível. 

A Parapsicologia não encontra sequer uma hipótese que possa dar uma pista ou tênue esperança de solução. A Parapsicologia no seu caminhar no estudo do maravilhoso, se defronta, uma vez mais, com o absoluto Senhor da Vida, que pode manifestar-se igualmente na morte, para testemunhar a Doutrina e santidade de seus santos.
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O Livro dos Gigantes

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Entre os pergaminhos de Qumran foram encontrados fragmentos de uma obra conhecida como "Livro dos Gigantes", que seria uma espécie de comentário ou complemento ao Livro de Henoc. O Livro dos Gigantes conta que Semihazah, o líder dos Vigilantes, teve dois filhos de sua esposa humana chamados 'Ohyah e Hahyah. Também Baraq'el, o nono vigilante chefe de dezena, foi pai de Mahawai. - Além destes, entre os nomes de gigantes citados entre os fragmentos do mar morto constam os "amigos" «Hobabes e ADK»
A Segunda versão Etíope narra que Asbeel «deu um conselho aos filhos dos Anjos, fazendo com que corrompessem os seus corpos com as filhas dos homens.» (I Enoch LXIX). Assim, seguindo o exemplo dos pais, também "se contaminaram, os Gigantes e os Nefilim", tomando esposas para "engendraram filhos" mas logo não havia alimento suficiente para todos, o que causou um grande problema entre seus súditos: «Os gigantes (diziam) que não lhes bastava a eles e a seus filhos (o alimento oferecido) [...] e pediam muito para comer»
«Hobabes e ADK (perguntavam...): Que me dará para matar?»
Por fim, desesperados de fome, e não podendo ser satisfeitos com o trabalho humano, os Gigantes começaram a destruir praticamente tudo que encontraram pela frente: «A impiedade foi grande, e eles erravam em todos os seus caminhos.» Um curioso fragmento, menciona esta passagem do ponto de vista do próprio 'Ohyah: «E com o vigor de meu braço e com a força de meu poder [...] (abati) toda carne, e fiz guerra com eles. Porem não [...] encontrei apoio para fortalecer-me, pois meus acusadores [...] habitam nos céus e vivem com os santos, e não (posso vencê-los) [...] pois eles são mais poderosos que eu.». - Mais tarde, 'Ohyah e Hahyah tiveram pesadelos, "e o sonho fugiu de seus olhos": «Chegou o frêmito das feras selvagens, e gritaram um bramido selvagem [...] Assim lhe falou 'Ohyah: "Meu sonho me abateu. [...] fugiu o sonho de meus olhos ao ver a visão"». Os irmãos levantaram-se e foram a Shemihaza, seu pai, e lhe contaram seus sonhos. Hahyah relatou: 
«Vi em meu sonho desta noite [...] jardineiros; estavam regando (uma árvore...) numerosas raízes saíam de seu tronco [...] olhei até que se fecharam as fontes (... e esgotaram-se) todas as águas e o fogo ardeu em todo (o tronco...) Aqui se acaba o sonho.»; «Então 'Ohyah, seu irmão, reconheceu e disse ante os gigantes: Também eu vi em meu sonho esta noite algo extraordinário: O Poder dos céus descia à terra [...] aqui acaba o sonho. Então se assustaram todos os Gigantes, e os Nefilim e chamaram Mahawai e ele veio a eles.»
Os gigantes buscavam quem lhes explicasse o sonho. Por isso suplicaram a Mahawai e lhe enviaram até Henoc, o escriba distinto, e lhe disseram: "Escuta sua voz e diz-lhe que te explique e interprete o sonho" Entretanto, a explicação de Henoc anunciava-lhes punição e morte pela "violência feita aos homens": «Então castigou e não a nós, (os justos), mas a Azazel», e também aprisionou e capturou «aos filhos dos Vigilantes, os Gigantes; e não serão perdoados nenhum de seus queridos.» Então eles «se prostraram e choraram ante Henoc» - Procurando manter a calma, 'Ohyah disse a Mahawai: «E não trema. Quem te mostrou tudo?»; Disse Mahawai: «Baraq'el, meu pai, estava comigo.»; «Apenas havia acabado Mahawai de contar o que (... Henoc) lhe disse: "Eu ouvi maravilhas. Se uma estéril pode dar à luz (ainda havia uma chance deles serem perdoados)..."» Mahawai deixou «a terra e cruzou a Desolação, o grande deserto», Então viu Henoc, chamou-o e lhe disse: «"Pela Segunda vez eu te peço um oráculo [...] a tuas palavras, junto com todos os Nefilim da terra"»; «"Que saibamos de ti sua explicação".» - Henoc, o escriba distinto, fez cópias em duas pequenas tábuas das epístolas escrevendo «em uma o testemunho dos gigantes (a Semihaza e a todos os seus companheiros) e na outra [o testemunho dos santos]». Então levou as tábuas «com todas as suas petições, por suas almas, por todas e cada uma de suas obras e por todos o que pediam: que houvesse para eles perdão e longevidade.» Mas o perdão lhes foi negado. Disse Henoc:
«Sabei que não (serão perdoadas ...) vossas obras e as de vossas mulheres»; «(Serão castigadas) elas e seus filhos e as mulheres de seus filhos (...) por vossa prostituição na terra.»; «E vos acusa a vós, pelas obras de vossos filhos (...) a corrupção com a qual tendes corrompido (...) até a vinda de Rafael. Eis que haverá destruição (...) Agora, pois, desligai vossas correntes (...) e rezai.» || «Que não haja paz para voz.»
Depois de repreender os Vigilantes e seus filhos, Henoc falou aos justos: «Palavras de bênção com as quais abençoou Henoc, varão justo a quem foi revelada uma visão do Santo e do céu, pronunciou seus oráculos dizendo: A visão do Santo do céu me foi revelada e ouvi todas as palavras dos Vigilantes e dos Santos e, porque o escutei deles, eu soube e compreendi tudo. Não falarei para esta geração mas para uma geração futura. Agora falo acerca dos eleitos, sobre eles pronuncio meu oráculo dizendo: Sairá o grande Santo de sua morada, e o Deus eterno descerá sobre a terra e irá ao monte Sinai e aparecerá com seu grande exército, e surgirá na força de seu poder do alto dos céus. Todos os Vigilantes tremerão e serão castigados em lugares secretos em todas as extremidades da terra; todas as extremidades da terra se fenderão e eles serão possuídos de tremor e medo até os confins da terra. Fender-se-ão e cairão e se dissolverão os altos e as altas montanhas serão rebaixadas...»
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Operação Mágica Para Invocação do Anjo Guardião

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Colocado para o Oriente proceder do seguinte modo:
1- Visualizar-se dentro de um cilindro de Luz Branca que vem do Alto, desde a Sua Presença Divina, o EU SOU (ver imagem para melhor concentração).
2- Concentrar-se e visualizar-se dentro da chama de Fogo Violeta da Purificação permanentemente, transmutando todos os electrões pesados e toda a substância impura na Pureza Angelical.
3- Ampliai ao seu redor o Circulo de Luz Branca que sai da Presença Divina toca o solo, que é o Tubo de Luz Protector e visualizar à sua frente um tubo de Luz branca idêntico ao seu, saído da Presença de Luz, o Sol Divino.

4- Levante os dedos da mão direita o polegar, o indicador e o médio, como se fosse um tridente e flecte os dedos anelar e mínimo da mão sobre a palma, eleva o braço e a mão ao alto e com a mão esquerda faz uma habitual "figa", só que em vez de colocar o dedo polegar flectido a emergir do dedo indicador que está flectido sobre ele, tem o dedo médio flectido também e junto ao indicador sobre o polegar que emerge encostado ao anelar esquerdo. Os dedos anelar e mínimo estão flectidos sobre a palma da mão esquerda.

O braço esquerdo é colocado caído ao lado do corpo com a mão apontando no prolongamento deste, para baixo, em direcção ao solo.

Pensar, respirando até encher o plexo epigástrico (respiração abdominal) e o tórax de ar que visualiza como chamas de Luz Branca Purificante:

"EU SOU a expressão de Deus Pai em acção. EU atraio da Sua Presença-em-Mim a Força e o Poder e com esta energia e o Manto de Luz Branca sobre os meus ombros, apelando no meu Coração e Mente às forças da Luz, pacificando todos os espíritos à minha volta e todos os seres impuros, conjurando-os a se afastarem.

"Só a Luz aqui habita ao meu redor. Toda a adversidade se anula já!"

5- Continuar com o braço direito elevado e dobrar o braço esquerdo mantendo a mão com a "figa" formada sobre a zona do chacra sexual, o segundo, para pacificar e exorcisar os espíritos impuros do plano emocional. Dizer mentalmente, e com a respiração dirigida ao centro sexual:

"EU SOU a Luz e a Pureza de Deus-em-Mim, todo o meu mundo emocional purifico aqui e agora. EU SOU pleno da Tranquilidade Divina!"

6- Olhando ao Alto e em frente, colocando o braço esquerdo flectido abre a mão, mantendo os dedos unidos e a mão em concha sobre o centro do plexo solar pensa:

"EU SOU a energia Pura de Deus-em-Mim, a Força e a Vitalidade Divina distribuindo ao meu redor!"

7- Coloca a mão esquerda em concha com os dedos juntos e abertos, com a palma virada para fora, frente ao centro do Coração. Com o braço direito que permanece levantado e a mão com o sinal do tridente, para o alto, visualizando o Círculo de Luz frente ao Seu (no qual permanece sem sair e no mesmo local desde o inicio) chama em Voz alta:

"Em nome da Amada, Poderosa e Triunfante Presença de Deus EU SOU-em-Mim; do Santo Ser Crístico Pessoal e da Mãe do Mundo, pelo poder magnético do fogo Sagrado investido na chama Trina que arde no meu Coração, eu invoco a Presença Sagrada do Meu Anjo Guardião para que Ele venha em Nome de Deus Pai, influir sobre a minha vida e me orientar. Ele vem, pela Vontade de Deus, ao Meu Apêlo apresentar-se no meio deste Círculo de Luz Branca que eu tracei, diante do meu círculo Branco Protector.

"Anjo Guardião a Quem a Bondade Divina me confiou nesta vida, em Nome de Deus Pai, O Supremo IAOM, manifesta a Tua presença neste Círculo!"

8- Depois disso, mentalmente, trace um círculo ao redor do seu e que envolva o do seu Anjo Guardião, de modo a que os dois Círculos fiquem no Centro desse, em Luz rosa, do Amor e do Espírito Santo.

9- Mentalize pétalas de rosa caindo no interior desse círculo de protecção de Luz Rosa, sobre o local onde está e o Seu anjo.

10- Diante do Seu Anjo agradeça-lhe a orientação que Ele lhe tem dado e não use nunca discursos negativos ou conversa de coisas por realizar.

Essencialmente agradeça-lhe apenas o que Ele por si fez e está fazendo.

Os Anjos como seres Divinos lêem os nossos pensamentos e sentimentos.

11- Depois disto, fique em silêncio e seja sensível aos sentimentos que vêm dentro de si. São sugestões do seu Anjo da Guarda e aquilo que ele busca dar-lhe a conhecer para você melhorar a sua vida.

12- Terminado o tempo que você acha ser suficiente para o contacto, baixe o braço direito e coloque a mão direita e a esquerda como se estivesse a fazer uma oração, palma contra palma, baixe a cabeça em gratidão e diga:

"Bendito Anjo do Senhor, Meu Guardião eu Te agradeço a Tua Presença aqui e peço que de agora em diante a Tua Presença me visite sempre que achar necessário.

"O meu Coração está aberto às Suas sugestões!

"Obrigado! Ide no Amor de Deus!"

13- Dirigindo-se ao Alto, com as mãos postas sobre o Coração diga:

"EU SOU a Presença de Deus-em-Mim, em acção aqui no mundo físico.

"Agradeço à Bondade Divina este contacto com o Meu Anjo Guardião. A partir de agora eu estou no Caminho dos Anjos.

"Que o Amor Divino me acompanhe permanentemente!

"Graças vos dou Senhor pela Vossa assistência!"

14- Depois deve dissolver os focos de Luz, começando pelo Rosa, seguido do círculo do Anjo e por último o seu, sendo que esse em vez de o dissolver dirá:

"EU SOU o Tubo de Luz da Protecção Divina em meu redor, permanentemente me envolvendo e defendendo.

"EU SOU cercado do Fogo Violeta permanentemente transmutando toda a negatividade do meu ser inferior, vencendo o ego, o meu mundo mental purificando as minhas emoções dirigindo e controlando os meus desejos libertando da influência do ego.

"Onde eu vá, toda a Proteção Divina vai comigo.

"Em nome de Deus Pai-em-Mim, do Filho, o Cristo Interno que EU SOU e da Mãe do Mundo, o Espírito santo, Amen!"

Assim, a partir daqui, o seu Anjo Guardião poderá aparecer-lhe em sonhos ou de outras formas.

Há muito mais a transmitir no tocante à Magia de Invocação dos Anjos, mas não se pode ou, melhor dizendo, não se deve fazer tal aqui por este método, reservando-se o processo para os cursos de Iniciação à Magia, dado que é necessário transmitir toda uma série de informações pelo método tradicional "de boca para orelha".
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A Queda dos Anjos

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Embora no Gênesis não esteja claro que os nefilins fossem maus, assim eles foram considerados nos livros apócrifos da época do Segundo Templo. Entre os achados arqueológicos mais importantes nesta área, encontra-se um texto em aramaico, descoberto no inverno de 1896-97 numa genizah de uma comunidade hebraica do Cairo e publicada, pela primeira vez, sob o título de Documento de Damasco, em 1910. Diz o seguinte:
«III - E, agora, ouvi-me, meus filhos, que eu descerrarei os vossos olhos para que possais escolher aquilo que Ele ama e desprezar tudo aquilo que odeia, para poderdes caminhar perfeitamente em todos os Seus caminhos e não errardes seguindo impulsos culposos ou deitando olhares de fornicação. Porque muitos foram os que se desviaram e homens fortes e valorosos aí escorregaram, tanto outrora como hoje. Caminhando com a rebelião nos corações, caíram os próprios guardas dos céus, a tal chegados porque não observavam os mandamentos de Deus, tendo caído também os seus filhos, cuja estatura atingia também a altura dos cedros e cujos corpos se assemelhavam a montanhas. Todo o ser vivo que se encontrava em terra firme, caiu, sim, e morreu, e foram como se não tivessem sido, porque procediam conforme a sua vontade e não observavam os mandamentos do seu Criador, de maneira que a cólera de Deus se inflamou contra eles.» 
Vários fragmentos do Livro de Enoch, escritos em aramaico, foram descobertos nas célebres grutas de Qumran, no Mar Morto. Contudo, mesmo depois dos textos terem sido comparados e executado um árduo trabalho de reconstituição, ainda faltaram diversas lacunas. Tentei amenizar este problema tapando os buracos com passagens de uma tradução livre para o etíope quase idêntica ao original aramaico, encontrada na Abissínia (conhecida como Enoch Etíope ou I Enoch):

VI - 1 «Sucedeu que quando se multiplicaram naqueles dias os filhos dos homens, nasceram-lhe filhas formosas e belas. Os Vigilantes, filhos do céu, viram-nas, desejaram-nas e disseram uns aos outros: Vamos e escolhamos mulheres dentre as filhas dos homens e engendremos filhos. Porém Semihaza, que era o seu chefe, lhes disse: Temo que não queiras realizar esta obra, e seja eu sozinho culpável de um grande pecado. Responderam e lhe disseram todos:» «Juremo-nos todos e comprometemo-nos todos sob anátema. Uns com os outros, a não voltarmos atrás neste projeto até que tenhamos realizado esta obra. Então se juramentaram todos em uníssono e se comprometeram uns com os outros. Eram duzentos todos os que desceram no tempo de Jared sobre o cimo do monte Hermon. Chamaram o monte "Hermon", porque juram e se comprometeram sob anátema uns com os outros nele. Estes são os nomes de seus chefes: Semihazah, que era seu chefe; 'Ar'teqof, o segundo com relação a ele; Ramt'el, o terceiro com relação a ele; Kokab'el, o quarto com relação a ele; ???'el, o quinto com relação a ele; Ra'ma'el, sexto com relação a ele; Dani'el, sétimo com relação a ele; Zeq'el, oitavo com relação a ele; Baraq'el, nono com relação a ele; 'Asa'el, décimo com relação a ele; Hermoni, undécimo com relação a ele; Matar'el, duodécimo com relação a ele; 'Anan'el, décimo terceiro com relação a ele; Sato'el, décimo quarto com relação a ele; Shamsi'el, décimo quinto com relação a ele; Sahari'el, décimo sexto com relação a ele; Tumi'el, décimo sétimo com relação a ele; Turi'el, décimo oitavo com relação a ele; Yomi'el décimo nono com relação a ele; Yehadi'el, vigésimo com relação a ele. Estes são os chefes dos chefes de dezena.»

VI - 1 «Eles e seus chefes, todos tomaram para si mulheres, escolhendo entre todas, e começaram a ir a elas e a contaminar-se com elas, a ensinar-lhes bruxarias, encantos e o corte de raízes, e a revelar-lhes as plantas. Elas ficaram grávidas deles e pariram gigantes, altos uns três mil côvados, que nasceram sobre a terra conforme a sua infância, e cresceram de acordo com seu crescimento, e que devoravam o trabalho de todos os filhos dos homens, sem que os homens pudessem abastecê-los. Os gigantes conspiravam para matar os homens e para devora-los. Começaram a pecar [...] contra todos os pássaros e animais da terra e contra os répteis que se movem sobre a terra e nas águas e no céu, e os peixes do mar, e a devorar uns a carne dos outros, e bebiam o sangue. Então a terra acusou os ímpios por tudo o que se havia feito nela.» 
VIII - 1. «'Asa'el ensinou os homens a fabricar espadas de ferro e couraças de cobre e lhes mostrou o que se escava e como poderiam trabalhar o ouro para deixa-lo preparado; e quanto à prata, a lavrá-la para braceletes e outros adornos para as mulheres. Às mulheres revelou acerca do antimônio e acerca do sombreado dos olhos e de todas as pedras preciosas e sobre as tinturas [E assim grassava uma grande impiedade; eles promoviam a prostituição, conduziam aos excessos e eram corruptos em todos os sentidos.]» «Semihazah ensinou encantamentos e a cortar raízes; Hermoni ensinou a desencantar, a bruxaria, a magia e habilidades; Baraq'el ensinou os sinais dos raios; Kokab'el ensinou os sinais das estrelas; Zeq'el ensinou os sinais dos relâmpagos; ???'el ensinou os sinais de [...]; 'Ar'teqof ensinou os sinais da terra; Shamsi'el ensinou os sinais do sol; Sahari'el ensinou os sinais da lua. E todos começaram a descobrir segredos à suas mulheres.» «Como estava perecendo uma parte dos homens da terra, seu grito subia até o céu.»

IX -1 «Então Miguel, Sariel, Rafael, e Gabriel olharam para a terra do santuário dos céus e viram muito sangue derramado sobre a terra; e toda a terra estava cheia da maldade e da violência que se pecava sobre ela. Ouvindo isto, os quatro foram e disseram que o grito e o lamento pela destruição dos filhos da terra subia até as portas do céu. E disseram aos santos do céu: É agora a vós, santos do céu, a quem suplicam as almas dos filhos dos homens dizendo: "Levai nosso caso diante do Altíssimo e nossa destruição diante da majestade!" Foram Rafael, Miguel, Sariel e Gabriel, e disseram diante do Senhor do mundo: "Tu és nosso grande Senhor, tu és o Senhor do mundo; Tu és o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores e o Rei dos reis. Os céus são o trono de tua glória por todas as gerações que existem desde sempre, e toda a terra é o escabelo ante ti por toda a eternidade, e teu nome é grande e santo e bendito para sempre. [Tudo foi por Ti criado e conservas o domínio sobre todas as coisas. Tudo é claro e manifestado diante dos teus olhos. Tu vês tudo e nada pode ocultar-se na tua presença. Tu vês o que foi perpetrado por Azazel, como ele ensinou sobre a terra toda espécie de trangreções.]» «pois (eles) ensinaram os mistérios eternos que há no céu para que os praticassem os conhecedores dentre os homens. E (olha) Shemihaza, a quem deste autoridade para reinar sobre todos os seus companheiros. Foram às filhas dos homens da terra e dormiram com aquelas mulheres, contaminando-se com elas [e familiarizaram-nas com toda sorte de pecados. As mulheres pariram gigantes e, em conseqüência, toda a terra encheu-se de sangue e de calamidades. 6. Agora clamam as almas dos que morreram, e o seu lamento chega às portas do céu. Os seus clamores se levantam ao alto, e em face de toda a impiedade que se espalhou sobre a terra não podem cessar os seus queixumes. 7. E Tu sabes de tudo, antes mesmo que aconteça. Tu vês tudo isso e consentes. Não nos dizes o que devemos fazer.]"» 
X - 1 «[Então o Altíssimo, o Santo, o Grande, tomou a palavra e enviou Uriel (= Sariel) ao filho de Lamech (Noé), com a ordem seguinte: "Diz-lhe, em meu nome: 'Esconde-te', e anuncia-lhe o fim próximo! Pois o mundo inteiro será destruído; um dilúvio cobrirá toda a terra e aniquilará tudo o que sobre ela existe.] Ensina ao justo o que deve fazer, e ao filho de Lamec a preservar sua alma para a vida e a escapar para sempre. E por ele será plantada uma planta e serão estabelecidas todas as gerações do mundo.» «[O Senhor] disse a Rafael: "Vai, pois, Rafael, e ata Azael de pés e mãos e arremessa-o nas trevas! [Cava um buraco no deserto de Dudael e atira-o ao fundo! Deposita pedras ásperas e pontiagudas por baixo dele e cobre-o de escuridão! Deixa-o permanecer lá para sempre e veda-lhe o rosto, para que não veja a luz! 4. No dia do grande Juízo ele deverá ser arremessado ao tremendal de fogo! Purifica a terra, corrompida pelos Anjos, e anuncia-lhe a Salvação, para que terminem seus sofrimentos e não se percam todos os filhos dos homens, em virtude das coisas secretas que os Guardiões revelaram e ensinaram aos seus filhos! Toda a terra está corrompida por causa das obras transmitidas por Azazel. A ele atribui todos os pecados!"]»; «E a Gabriel disse o Senhor: "Vai aos bastardos e aos filhos da fornicação e destrói os filhos dos Vigilantes dentre os filhos dos homens; mete-os em uma guerra de destruição, pois não haverá para eles longos dias. Nenhuma petição a seu favor será concedida a seus pais; pois esperam viver uma vida eterna, ou que cada um deles viverá quinhentos anos". E a Miguel disse o Senhor: "Vai, Miguel, e anuncia a Shemihaza e a todos os seus amigos que se uniram com mulheres para contaminar-se com elas em sua impureza, que seus filhos perecerão e eles verão a destruição de seus queridos; acorrenta-os durante setenta gerações nos vales da terra até o dia grande de seu juízo. 

[Nesse dia, eles serão]» (condenados a) «tortura e ao fechamento na prisão eterna. Tudo o que seja condenado estará perdido desde agora; será acorrentado com eles até a destruição de sua geração. E no tempo do juízo com que eu julgarei, perecerão por todas as gerações. Destrói todos os espíritos dos bastardos e dos filhos dos Vigilantes, porque fizeram operar o mal aos homens. Destrói a iniqüidade da face da terra, faz perecer toda obra de impiedade e faz que apareça a planta da justiça; ela será uma bênção e as obras dos justos serão plantadas no gozo para sempre. Naquele tempo todos os justos escaparão e viverão até que engendrem milhares. Todos os dias de vossa juventude e de vossa velhice se completarão em paz."»

VII - 1. [Enoch havia desaparecido, e nenhum dos filhos dos homens sabia onde ele se encontrava, onde se ocultava e o que era feito dele. O que ocorrera é que ele havia estado junto dos Guardiões e transcorreu os seus dias na companhia dos Santos. 2. Eu, Enoch, ergui-me e louvei o Senhor da Majestade e Rei do mundo. Então os Guardiões (santos) me chamaram, a mim Enoch, o Escriba, e disseram-me: "Enoch, tu, o Escriba da Justiça, vai e anuncia aos Guardiões do céu que perderam as alturas do paraíso e os lugares santos e eternos, que se corromperam com mulheres à moda dos homens, que se casaram com elas, produzindo assim grande desgraça sobre a terra; anuncia-lhes: 'Não encontrareis nem paz nem perdão'. Da mesma forma como se alegram com seus filhos, presenciarão também o massacre dos seus queridos, e suspirarão com a desgraça. Eles suplicarão sem cessar, mas não obterão nem clemência nem paz!"]

XIII - 1. [Então Enoch encaminhou-se até eles e assim falou a Azazel: "Tu não terás a paz. Uma sentença severa recaiu sobre ti: deverás ser acorrentado. Não alcançarás indulgência nem será aceita a intercessão, por causa dos atos violadores que ensinaste a praticar, e por causa de todas as obras blasfemas, da violência e dos pecados que mostraste aos homens." Então eu redigi a palavra a todos eles. Todos encheram-se de grande medo e foram tomados de pavor e tremor. Suplicaram-me que lhes escrevesse um rogo intercessório, para que pudessem obter o perdão, e que eu lesse o seu pedido na presença do Senhor dos céus. Pois a partir de então não lhes era mais permitido falar com ele nem levantar seus olhos para o céu, de vergonha pelos seus delitos, pelos quais foram castigados. Assim eu redigi o seu rogo] «com todas as suas petições, por suas almas, por todas e cada uma de suas obras e por todos o que pediam: que houvesse para eles perdão e longevidade. Fui e me sentei junto às águas de Dã, na terra de Dã, que está ao sul do Hermonim, ao seu lado oeste, e estive lendo o livro de anotações de suas petições até que dormi. Eis que me vieram sonhos e caíram sobre mim visões até que levantei minhas pálpebras às portas do palácio do céu [...] E vi uma visão do rigor do castigo. E uma voz veio e me disse: Fala aos filhos do céu para repreendê-los. Quando despertei, fui a eles. Todos eles estavam reunidos juntos e sentados e chorando em Abel-Maya (a Fonte do Pranto) que está entre o Líbano e Senir, com os rostos cobertos.»; «Eu contei diante deles todas as visões que havia visto em sonhos e comecei a falar com palavras de justiça e de visão e a repreender os Vigilantes celestes.»

XIV 1. [Este é o] «livro das palavras da verdade e da repreensão dos Vigilantes que eram desde sempre, segundo o que ordenou o Grande Santo no sono que sonhei. Nesta visão eu vi em meu sonho o que agora digo com a língua carnal, com o alento de minha boca, que o Grande deu aos filhos dos homens para que falem com ela e para que compreendam no coração. Assim como Deus destinou e criou os filhos dos homens para que compreendam as palavras do conhecimento, assim me destinou e fez e criou a mim para que repreenda os Vigilantes, os filhos do céu. Eu escrevi vossa petição, Vigilantes, e numa visão me foi revelado que vossa petição não vos será concedida por todos os dias da eternidade, e que haverá juízo por decisão e por decreto contra vós; que a partir de agora não voltareis ao céu e não subireis por todas as idades; e que foi decretada a sentença para acorrentar-vos nas prisões da terra por todos os dias da eternidade; porém que antes vereis que todos os vossos queridos irão à destruição com todos os seus filhos; e as propriedades de vossos queridos e de seus filhos não as desfrutareis; cairão ante vós pela espada de destruição, pois vossa petição por eles não vos será concedida, como não vos é concedida por vós mesmos. Vós continuareis pedindo e suplicando. [...] Não pronunciareis nem uma palavra do escrito que eu escrevi.»

Esses Vigilantes que "mudaram suas obras" e resolveram ensinar aos humanos ciências divinas foram responsabilizados não só pelas guerras (que naquele tempo nem sempre eram vistas como algo ruim) mas também por terem iniciado ou aperfeiçoado a própria civilização: Semihazah ensinou "bruxarias, encantos e o corte de raízes, e a revelar-lhes as plantas". Nisso se incluía a antiga homeopatia (fabricação de remédios naturais), já conhecida e rigorosamente aperfeiçoada pelos egípcios desde tempos remotos; E também a fabricação de venenos - retirados das plantas - que era uma especialidade daquele período, herdada da dominação romana. 
Menos eficazes, mas nem por isso menos populares, deveriam ser as "bruxarias" e "encantos", aos quais alegava-se que serviam para praticamente tudo que se pudesse desejar, principalmente ganhar fama, fortuna e atrair o sexo oposto. Geralmente nessas práticas se ensina que quando o feitiço da errado é 1) porque o praticante não executou como devia ou 2) porque seu inimigo fez um contra feitiço anulando o primeiro. Assim Hermoni (et. Armaros) "ensinou a desencantar, a bruxaria, a magia e habilidades"... Uma segunda versão em etíope fala sobre outros Vigilantes que, juntamente com Semihazah, teriam ensinado magia: Kasdeja "ensinou aos filhos dos homens toda espécie de sortilégios dos espíritos e dos demônios, bem como os malefícios contra o fruto do ventre materno, para sua expulsão, e os contra a alma, feitiços contra a picada de cobra, contra a insolação e contra o filho da serpente, chamado Tabaet. - E esta foi a tarefa de Kasbeel, que desvelara aos Santos o Juramento supremo, quando habitava no alto da Glória e se chamava Bika. Este pedira a Michael para transmitir-lhe o Nome secreto, a fim de que pudesse ser conhecido e empregado nos juramentos, conquanto aqueles que ensinaram as coisas ocultas aos filhos dos homens tremessem em face desse Nome e desse Juramento." (I Enoch LXIX)

Sobre culinária, alfabetização e leis, é dito que Penemue "ensinou aos filhos dos homens o doce e o amargo, bem como todos os segredos da sua sabedoria. Ele também instruiu os homens na escrita com tinta e sobre papel, e com isso muitos se corromperam, desde os tempos antigos por todas as épocas, até os dias de hoje. Pois os homens não foram criados para fortalecer sua honestidade dessa maneira, por meio de pena e tinta". (I Enoxh LXIX)

Kokab'el "ensinou os sinais das estrelas. (et. Ciência das constelações)". Isso sem dúvida é antiga Astrologia, que incorporava elementos da astronomia. Esta "ciência" era muito valorizada pois, na antigüidade, eram os astrólogos que ficavam encarregados de informar sobre a mudança das estações, da configuração de calendários e outras coisas de grande utilidade para a vida rural e economia dos reinos. Ainda no campo da astrologia, parece que Zeq'el, que "ensinou os sinais dos relâmpagos (Et. Observação das nuvens)" e Baraq'el que "ensinou os sinais dos raios" ficaram responsáveis pala previsão do tempo... Para completar o quadro astronômico/astrológico, Shamsi'el "ensinou os sinais do sol" e Sahari'el "ensinou os sinais da lua. (et. Fazes da lua)".
Em auxílio da agricultura, 'Ar'teqof "ensinou os sinais da terra", se era boa ou ruim para o plantio, etc. Tudo isso gerava grandes facilidades na vida humana que, tendo menos trabalho e mais tempo livre podia se dedicar a cuidados pessoais, iniciar uma vida urbana e até mesmo pensar numa expansão através da guerra. É aqui que entra aquele que apesar de não ser o líder parece ter provocado o maior dano de todos: 'Asa'el (hebr. et. e árabe Azazel) "Ensinou os homens a fabricar espadas de ferro e couraças de cobre e lhes mostrou o que se escava e como poderiam trabalhar o ouro para deixa-lo preparado; e quanto à prata, a lavrá-la para braceletes e outros adornos para as mulheres. Às mulheres revelou acerca do antimônio e acerca do sombreado dos olhos (Kohol) e de todas as pedras preciosas e sobre as tinturas". 

Aparentemente, se não fosse pelos insaciáveis filhos vampiros, parece que os ensinamentos dos Vigilantes não seriam tão condenáveis assim, já que trouxeram para a humanidade mais bem do que mal... Tanto que um dos chefes de dezena, Dani'el (et. Danjal) foi adotado posteriormente como anjo da misericórdia pela tradição cristã, ficando mundialmente conhecido. Outro mencionado em versões posteriores, Uzza, tornou-se anjo benéfico para os árabes. De fato, o livro apocalíptico dos Jubileus conta que os Sentinelas (= Vigilantes) vieram para a Terra e depois pecaram, mas que seu príncipe, Samael, teria tido a permissão de Iahweh para atormentar a humanidade. Entretanto, o judaísmo posterior e quase todos os primeiros escritores eclesiásticos viram nesses "filhos de Deus" anjos culpados.
Sobre a posterior condenação, a Segunda versão de I Enoch limita-se a dizer que «em conseqüência desse Julgamento, eles serão submetidos à angústia e ao estremecimento por terem desvelado aquelas coisas aos habitantes da terra.» (I Enoch LXIX).

Na verdade nenhuma das sete cópias fragmentadas do Livro de Enoch (nem das cinco do Livro dos Gigantes) encontrados nas cavernas de Qumran continha menção ao "abismo de fogo" descrito no Enoch Etíope, o que é significativo pois se trata de textos particularmente grandes. É possível que estes textos sejam acréscimos posteriores de escribas ou tradutores Coptas - mesmo porque eles se assemelham mais à doutrina cristã dos primeiros séculos d.C. do que à mitologia judaica/essênia da época em que foram escritos os Manuscritos do Mar Morto. Uma descrição mais detalhada deste local de condenação aparece no Livro das "Similitudes de Enoch" (II Enoch); Esta versão, descoberta na Rússia em um texto eslavo, foi provavelmente escrita no Egito no princípio da era cristã e fala da viagem de Enoch através das diferentes coortes do Paraíso. 
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